terça-feira, 6 de maio de 2014

Exercitando o Autocontrole



Se a sua mente está quase sempre vagando em pensamentos e preocupações, não se preocupe. Isso é super comum e praticamente todos nós passamos por isso - as vezes mais, as vezes menos.

Neste caso, preste atenção. Sim, a dica é essa mesmo. Literalmente prestar atenção no momento presente é um excelente exercício para melhorar o autocontrole e com isso diminuir o stress gerado. A todo momento o fluxo dos pensamentos, sensações e sentimentos - processos conscientes e inconscientes -  vão esculpindo o nosso sistema nervoso, criando-nos "marcas" (lembranças, memórias) profundas ou sutis gradativamente.
 


O nosso cérebro está continuamente mudando a sua própria estrutura. O que devemos nos questionar é: Para melhor ou para pior? Em particular, por causa do que é chamado de “neuroplasticidade,” aquilo em que você foca a sua atenção tem um poder especial para mudar o seu cérebro. Atenção é como uma combinação de holofotes e aspirador de pó: A atenção ilumina tudo aquilo em que você se focaliza e depois suga tudo para o seu cérebro.
 
Manter a atenção e ser capaz de ordená-la para que esteja aonde você pretende que ela fique, e ainda, ser capaz de varrer os pensamentos inúteis ou que não cabem naquele momento é a base para obter a mudança do seu cérebro, e para isso temos que treinar e exercitar a mente, assim como fazemos com o nosso corpo.
 
Para obter um melhor controle de atenção, para tornarmo-nos mais conscientes e mais capazes de concentrarmo-nos, precisamos superar alguns desafios. Para sobreviver, os nossos ancestrais evoluíram aprendendo a monitorar continuamente o ambiente ao seu redor para usufruírem de oportunidades e evitarem as ameaças.

Experiências perturbadoras (especialmente as traumáticas) treinam o cérebro para ser vigilante, para prestar atenção, procurando tudo aquilo que possa parecer ameaçador. A cultura moderna fez-nos acostumar a um constante processamento de estímulos, por isso sensações simples como respirar, podem parecer-nos chatas ou até frustrantes. Observar a situações que nos podem magoar, prejudicar ou confirmar-se como obstáculos, possa ser benéfico, quando exacerbado e levado ao extremo, certamente perde o seu valor adaptativo e torna-se num problema."
Para superar estes desafios, é importante manter o foco e atenção no local ou situação que estiver sentindo/ passando. Como?
 
Abaixo segue uma lista com 7 dicas e exercícios para lhe ajudar sempre que sentir necessário. O ideal é seguir passo a passo mas pode ser feito apenas alguns dos exercícios citados ou ainda, em ordem aleatória.

Respiração consciente e completa. Faça várias inspirações profundas e procure manter a expiração mais longa (se possível, sempre pelas narinas), no momento da inspiração, encha os pulmões de ar iniciando pela parte baixa do abdômen e preenchendo parte média (intercostal) e alta. Mantenha alguns instantes os pulmões cheios... depois expire lentamente fazendo o movimento inverso. Primeiro a parte alta, depois a média e por fim a baixa - imagine uma bexiga (bola de aniversário, balão, etc) esvaziando. Repita quantas vezes sentir vontade. Mínimo 3x.

                   
 
 
Esta técnica estimula o relaxamento e a libertação da tensão, ativando a parte do sistema  nervoso que lhe permite ficar mais tranquilo (sistema nervoso parassimpático).
 
Perceber as sensações, emoções e memórias que surgem juntas a cada momento no espaço ilimitado da consciência. Foque a sua atenção num ponto de tensão ou dor física, mas igualmente na sua capacidade de relaxar ou gerar boas sensações vindas através dos cinco sentidos. Quando você observa atentamente essas múltiplas sensações ocorrendo no organismo e em que o todo é maior que a soma das suas parte, percebidas dentro de uma perspectiva ampla e panorâmica, ativa as redes neuronais responsáveis pela atenção sustentada.
 
Defina a intenção de manter a sua atenção em algo, ficando atento. Você pode fazer isso intencionalmente mantendo a sua atenção numa parte do corpo ou em alguma sensação em particular, ou fazê-lo de forma mais plena e contemplativa, observando o máximo de sensações corporais ou ficando ciente do máximo de estímulos que o seu corpo lhe permite experimentar, num determinado momento. O importante é manter a localização da consciência naquilo que lhe chamar mais atenção.  Pode-se começar com apenas um estímulo e ir acrescentando na medida em que se domina outros mais. Adicione tantos estímulos quantos conseguir, sem perder o foco nos anteriores. Em seguida, de entre todos os estímulos, escolha um ou dois em que quer sentir ou experimentar de forma mais aprofundada.

Com esta técnica, você pratica a abstração dos sentidos e com isso, consegue controlar melhor seus pensamentos e consequentemente terá um direcionamento mental para atingir aquilo que você deseja.
 
 
Procure resgatar situações ou sentimentos que lhe ajudem a se sentir bem. Sentimentos como compaixão, boa vontade e calma ajudam a solucionar possíveis problemas, melhora as relações interpessoais e ainda lhe trará bem estar e gratificação para o momento presente. Este exercício suporta os dois seguintes.
 
Mentalize algo que faça-o sentir mais seguro. Como no exercício anterior, coloque a sua atenção em atividades tranquilizantes, em vez de ativar a sua atenção vigilante. Perceba que você está num ambiente relativamente seguro, munido de recursos que permitem que seja capaz de lidar com o que a vida lhe apresenta. Deixe de lado qualquer ansiedade irracional, qualquer vigilância desnecessária ou preocupação em excesso. Se for necessário, vá a algum lugar isolado (como o toalete ou hall de entrada do prédio) já acalmando os pensamentos e mentalizando naquilo que lhe dará mais condições de lhe fortalecer.

Busque mentalmente experiências positivas escolhidas ou lições que você aprendeu ou está aprendendo. Pode ser feito por apenas alguns minutos durante o seu dia. É importante criar o hábito de relembrar acontecimentos positivos, e conscientemente perceber o impacto que isso tem no seu corpo e consequentemente no seu bem-estar geral. Uma vez que os “neurônios que disparam juntos, ligam-se juntos” você reforça assim os mecanismos da atenção ligados à positividade e sensações corporais agradáveis e relaxantes.
 
Encoraje sempre que possível sentimentos positivos. Pense em algo pelo qual se sinta satisfeito ou grato. Por exemplo, ter amigos ou filhos, ter terminado algum curso, ter boa saúde, ter um lar ou simplesmente por estar vivo. Abra a sua mente para o sentimento geral de bem estar. A sensação de prazer ou recompensa de emoções positivas aumentam alguns químicos circulantes no sangue, como a dopamina, que promove a sensação de satisfação e tranquilidade, fechando os canais neuronais para quaisquer distrações invasivas.


 
Exercitar a atenção colocando o seu foco intencionalmente em estímulos prazerosos, permite que você desenvolva a capacidade de controlar os estímulos mentais. Este processo pode ser vantajoso sempre que você estiver focado em algo que o perturba, prejudica ou consome a sua concentração. Na presença dessas interferências, uma vez com a mente treinada, basta levar o foco onde se quer ou precisa, fazendo uma releitura de tudo que foi dito até agora e por em prática para obter uma vida mais saudável.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Substituição de ovos em receitas

Alguns sabem que fui e voltei a ser vegetariana. Antes, era lacto ovo vegetariana, ou seja, não comia nenhum tipo de carne mas comia derivados (leite, manteiga, queijo e iogurte) e ovo. Atualmente me considero lacto vegetariana, o que significa que retirei também o ovo do meu cardápio - espero aos poucos tirar todos os derivados, ou pelo menos a maioria.
 
As vezes temos uma dificuldade enorme para fazer algumas receitas por simplesmente não saber o que substituir determinado ingrediente e acabamos boicotando a ideia de inovar. Por isso, achei importante falar do ovo que está presente em quase todas as receitas tradicionais que conhecemos (bolos, pães, panquecas, tortas, etc).
 
Antes de dizer o por que de não se utilizar os ovos, fui buscar informações sobre os mesmos e me deparei com uma inverdade.
 
"O ovo é um dos ingredientes mais valiosos na cozinha. Sem ele, muitas receitas seriam inviáveis, pois sua qualidade de engrossar, aerar e emulsificar são fundamentais. " Roberto Rabat Charme - fala eu seu blog.
* Verão como é fácil e tranquilo substituir o ovo em diversas receitas e que ainda podem sugerir novos e deliciosos sabores aos pratos tradicionalmente feitos.
 
... e por que não comer ovo?
 
 
 
Existem pessoas que não gostam do sabor do ovo, outras são alérgicas e ainda temos os veganos ou quem está no processo de virar (neste caso é simplesmente pela ética).

De acordo com o site vegetarianismo.com.br, comer ovos não é condenável em si. Sendo fecundados ou não, o ovo evidentemente não sentirá nada mas o ovo é um produto recorrente da exploração de um animal, ou seja, de uma galinha que, assim como nós, animais humanos, é sensível á dor. Portanto,  não temos o direito de matar este ser. Suas condições de existência e sua vida possuem uma importância capital para si.
 
Voltando as substituições para não estender o assunto veganismo, seguem as várias formas de inovar suas receitas.

Primeiramente, saiba que os ovos têm usos diferentes - às vezes eles são usados para dar liga nos alimentos, ajudar na fermentação (tornando o alimento mais suave/macio) ou mesmo pelo sabor.
 
1 - Frutas. São um excelente substituto para ovos. Experimente bananas, purê de maçã ou qualquer fruta com alto teor de pectina. Normalmente, 1/4 xícara de banana irá substituir um ovo.
 
2 - Tofu. Ótima alternativa, uma vez que ele irá assumir o sabor de tudo o que você está cozinhando com ele. Como regra geral, 1/4 xícara de tofu irá substituir um ovo. Bata ou agite antes de adicioná-lo à receita. Certifique-se de usar o tofu mais mole; tipos mais firmes não se misturam bem. Você também pode usar 1/4 xícara de iogurte de soja no lugar do ovo.
 
3 - Linhaça. Moa 1 colher de sopa de sementes de linhaça inteiras (ou use 2 colheres de sopa de farinha de linhaça) e combine com 3 colheres de sopa de água para substituir por um ovo. Certifique-se de que a mistura tenha ficado como uma papa antes de usá-la. Algumas pessoas recomendam ferver os dois itens juntos para engrossar a mistura.
 
4 - Agar- agar. Para substituir apenas a clara do ovo, misture 1 colher de sopa de pó de agar-agar simples (disponível em lojas de alimentos saudáveis ou lojas chinesas) com 1 colher de sopa de água. Bata os dois juntos, deixe descansar e bata novamente.

 
 
* Outra alternativa para a substituição de ovos é por 2 colheres de sopa de água misturadas com 1 colher de sopa de óleo e 2 colheres de sopa de fermento em pó. Misture bem antes de adicionar a receita.
 
5 - Purê de batatas, massa de tomate, aveia em flocos. Para receitas salgadas, experimente estes agentes de ligação. Ajudarão a engrossar a massa e se misturarão bem com os outros ingredientes. Além deles, migalhas de pão, farinha de milho/trigo, araruta e farinha de trigo integral são boas substituições.
 
6 - Molho de maçã, abóbora em conserva, frutas enlatadas, purê de sua escolha; tudo isso pode ser usado como um substituto para o ovo em produtos de panificação. Darão um novo sabor especial, basta escolher. As frutas podem tornar o alimento um pouco mais pesado, escolha o que preferir. 
 
7 - Panquecas sem ovos. Na verdade, qualquer produto simples cozido que requeira apenas 1-2 ovos normalmente pode sobreviver sem um ovo sem problemas. A principal alternativa é substituir por um líquido, colocando um pouco mais de líquido do que o normal (1-2 colheres de sopa) para compensar a remoção do ovo. Existem receitas diferentes (algumas apenas com farinha, algumas com frutas como a banana amassada); por isso, o melhor é fazer uma busca para encontrar em algum site especializado uma receita da qual você goste. E elas realmente funcionam. Para testá-las, basta ter certeza de que a panela em que serão fritos será temperada da mesma maneira que você temperaria para fazer panquecas normais.
 
8 - Iogurte na substituição de ovos. Se o iogurte for natural, seu sabor passa despercebido, o que o torna ótimo para várias receitas.

Delicie-se e bom apetite!

**Dicas retiradas de Rafael Bemerguy, Murilottt em: http://pt.wikihow.com

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Shanka Prakshalana - Limpeza profunda

O shanka prakshálana é uma formidável técnica de desintoxicação e purificação, que consiste em fazer uma autolavagem completa do trato digestivo e intestinal. A técnica em si é bastante simples: consiste em beber água levemente salgada, no ph fisiológico, para que não seja absorvida pelo organismo. Ela é guiada através dos aparelhos digestivo e excretor aplicando uma série de exercícios dinâmicos com repetição. À medida em que o líquido for sendo eliminado se observa a expulsão daqueles resíduos e sedimentos que normalmente se acumulam nos intestinos. A água é expelida cada vez mais limpa e clara, até sair totalmente transparente. Esta lavagem deve ser feita em jejum, observando cuidadosamente as instruções aqui contidas. Dura, em média, entre uma hora e meia  duas horas - individualmente.

Alterna-se a ingestão de cada copo de água com a execução de uma série completa dos exercícios descritos a seguir, de maneira que não haja acúmulo de líquido em nenhuma parte do organismo e que este continue em movimento.

A vantagem desta técnica frente à lavagem convencional é que esta última atinge apenas a porção final do cólon, podendo até alterar os movimentos peristálticos através da pressão excessiva produzida pelo líquido sobre as paredes intestinais. A limpeza obtida mediante o shanka prakshálana vai desde a glote até o reto, tonificando os tecidos e favorecendo o peristaltismo.

O fluxo de água promove uma lavagem total e profunda dos órgãos internos. Os resultados da prática se sentirão em todos os níveis do organismo: tonificação das paredes intestinais, estímulo do peristaltismo, hálito mais puro e fresco, pele mais limpa, melhora do sono, leveza, bem-estar e melhora da disposição geral. Dada a eficiência deste método, o ideal é fazê-lo, no máximo, quatro vezes por ano, sendo a época mais propícia a mudança das estações.

O procedimento aqui descrito é o mais tradicional, porém, existe ainda outra variação desta técnica, que consiste em alternar a ingestão de água com diversas e sucessivas contrações abdominais: nauli kriyá, uddiyana bandha ou agnisára dhauti. Você poderá optar posteriormente por esta variação, mas aconselhamos que para começar experimente a série clássica, verdadeira obra de arte da engenharia fisiológica do Yoga.  

Cuidados iniciais


Considerando que o shanka prakshálana levará entre uma hora e meia e duas horas, aconselhamos que você reserve a ele uma manhã de domingo ou algum dia em que disponha de bastante tempo livre. O fator decisivo para o sucesso no shanka prakshálana (e não apenas nele, mas em todas as técnicas do Yoga) é a confiança no método. Tenha certeza de que esta técnica foi exaustivamente testada antes de chegar até você. Na véspera, faça uma refeição leve e equilibrada, algumas horas antes de deitar.

O momento ideal é pela manhã, em jejum total. Pessoas que tenham constipação intestinal crônica deverão tomar um laxante suave na véspera. Aconselhamos ameixas secas ou uma colher de sopa de sementes de linhaça deixadas de molho em um copo de água desde a noite anterior. Dedique o resto da jornada à meditação, leitura ou alguma atividade que não demande esforço físico. Faça Yoga, mas evite praticar ásanas.

A primeira refeição deve ser feita no mínimo 30 minutos após a lavagem e no máximo uma hora depois dela. Essa refeição deve consistir exclusivamente em um prato de arroz branco com 50 gramas de ghee (manteiga clarificada), azeite de oliva extra virgem ou manteiga normal de boa procedência. Após tanta água salgada, este prato terá um sabor celestial. Alimentos integrais (aveia, arroz ou pães integrais e fibras em geral) precisam ser evitados no primeiro dia, bem como alimentos tamásicos (ácidos, enlatados) e ainda laticínios (leite, iogurte, queijos fortes) e legumes e frutas cruas. Depois do arroz, beba infusões de ervas ou água à vontade. Agasalhe-se bem e evite expor-se ao frio.

Contra indicação importante: pessoas com debilidade geral, úlcera no estômago, colite, câncer ou disenteria devem abster-se de fazer este exercício.
 

Os exercícios


Descreveremos agora a sequência dos quatro exercícios físicos. Mesmo se você os achar maçantes ou fáceis demais, não deixe de fazê-los, pois cada um deles tem um efeito bem específico sobre uma parte do aparelho digestivo ou excretor, como você perceberá na prática. Se você não fizer assiduamente exercícios físicos, aconselhamos que repita esta série várias vezes na véspera, para evitar as dores do day after. Não queira modificar detalhes da execução, pense que isto não são os ásanas que você conhece e está acostumado a fazer. Apenas siga cuidadosamente estas instruções.

Exercício 1
Em pé, com um palmo de distância entre os pés, que ficam paralelos, os braços para cima, os dedos entrelaçados e as palmas voltadas para o teto, faça quatro flexões laterais para a esquerda, alternando-as com outras quatro flexões para a direita. Não desloque os quadris ao inclinar o tórax e faça a flexão mantendo o tronco alinhado com as pernas e os braços.

 
Não permaneça: apenas faça o movimento coordenado com a respiração. Ao todo, as oito flexões (quatro para cada lado) não devem levar mais do que dez segundos. Este movimento lateral age sobre o piloro, aquela válvula que controla a passagem entre o estômago e o duodeno, antes do intestino delgado. A cada flexão, uma porção de água entra no trato intestinal.

Exercício 2
Ainda em pé, faremos agora um movimento de torção do tronco. Inicie o movimento com os braços estendidos horizontalmente para frente. Gire o tronco para a esquerda, levando o braço desse lado para trás e flexionando o direito até que a mão toque a clavícula esquerda. A cabeça acompanha essa rotação, olhando para trás. Inspirando retorne e faça o mesmo movimento para a direita enquanto solta o ar. Olhe para sua mão direita, que deve ficar bem para trás, sempre na linha horizontal.

 

Você fará um total de oito rotações (quatro para cada lado), sempre mantendo os braços na linha dos ombros e as costas eretas. Esses oito movimentos também serão feitos em dez segundos. Estas torções levarão a água para o intestino delgado, fazendo-a circular por ele. Coordene sempre movimento e respiração. Exale ao ir para os lados e inale ao retornar. Não permaneça.

Exercício 3
Fique em decúbito frontal e coloque-se como se fosse fazer bhujangásana. Mantenha os pés separados um palmo, apoie nas pontas dos dedos e nas palmas das mãos. Os joelhos não tocam o solo e as pernas ficam elevadas. Se for necessário, contraia um pouco as nádegas. Agora você fará um giro com a cabeça e os ombros, olhando alternadamente para trás, como se quisesse ver o calcanhar do lado oposto àquele para o qual você está girando: ao olhar por cima do ombro esquerdo, tente ver o pé direito; ao olhar por cima do ombro direito, tente ver o pé esquerdo.

 

Sinta o alongamento produzido pela posição na região abdominal e procure perceber a passagem de água pelos intestinos. Faça quatro giros para cada lado, totalizando oito movimentos sem permanência, em quinze segundos. Não esqueça da respiração, sempre associada com o movimento. Isto fará com que a água comece a entrar no intestino grosso e circule por ele.

Exercício 4
Sente-se no chão e flexione a perna esquerda, deixando o joelho para cima, sem passar o pé para o lado de fora da perna direita, que permanecerá esticada. Agora gire o tronco, colocando o braço direito entre o tórax e a coxa esquerda. Olhe por cima do ombro para trás, inclinando um pouco o tronco e apoiando-se na mão esquerda.



Sem permanecer, inspire e torça-se para o outro lado da mesma forma. Em quinze segundos, faça quatro torções para cada lado. Comprima bem o baixo ventre contra a coxa a cada expiração. Os ombros devem estar na mesma altura e a coluna bem ereta. As torções levarão a água pelo cólon até o reto. Ao todo, esta sequência de quatro exercícios levará perto de um minuto. Recapitulando, os exercícios ficam assim:

 

Instruções de execução
Prepare uma boa quantidade de água filtrada e fervida. Mesmo se for utilizar água mineral, é conveniente fervê-la antes de adicionar o sal. Considerando que você vai ingerir no mínimo quatorze copos, ou seja, três litros e meio de água, prepare um pouquinho mais, por via das dúvidas.

Salgue a água mantendo a proporção de uma colher de sobremesa para cada litro. Caso você ache a água demasiado salgada, reduza um pouco a concentração de sal. Utilize sal marinho de boa qualidade. Jamais faça este exercício com água pura, pois o seu organismo começará a absorvê-la e você transformar-se-á em um bonito barril ambulante.

Ingira um copo de água morna e salgada.

Faça a sequência dos quatro exercícios em um minuto.

Beba outro copo e repita os exercícios.

Continue assim até ter ingerido seis copos. Se sentir que a água não está circulando, faça a série mais algumas vezes. Se ainda assim não funcionar, pode acontecer que a presença de gases nos intestinos esteja bloqueando a passagem do líquido. Nesse caso, faça uma invertida.

Após do sexto copo, faça uma visita ao toalete. Na primeira evacuação saem as fezes normais. Nas seguintes serão pastosas e depois irão ficando cada vez mais líquidas. A água deve fluir sem parar no estômago. Se você sente que não está circulando repita a série de exercícios antes de beber mais.

Evacuando a primeira vez, o ritmo do shanka prakshálana fica assim:

Um copo de água.
Uma série de exercícios.
Visita ao toalete.
Água.
Exercícios.
Toalete.

A cada copo haverá uma nova evacuação. Preste atenção à cor das fezes, que ficarão cada vez mais claras.

Dependendo dos hábitos alimentares, do seu biotipo e das características dos seus intestinos, serão necessários entre doze e dezesseis copos até que a água expelida saia tão limpa quanto a ingerida.

Utilize o bom senso: se você bebeu dez copos de água e ainda não conseguiu evacuar pela primeira vez, interrompa a ingestão de água e passe a executar apenas os exercícios, alternando-os com a execução de alguns ciclos de nauli ou rajas uddiyana bandha e a permanência em uma posição invertida sobre a cabeça ou os ombros. Após a evacuação, retome o ritmo acima descrito.

Quando começar a aparecer a água limpa, você interromperá a absorção, continuando a repetir os exercícios mais algumas vezes e alternando sempre as séries com evacuações.

Ao cessar a eliminação da água, e antes da refeição de arroz com ghee, faça um bom relaxamento.

**É altamente recomendável realizar esta técnica com o acompanhamento de um profissional de Yoga e, que já tenha feito a prática. Isto porque ele já saberá dos sintomas de cada praticante e poderá lhe auxiliar melhor em todo o processo.

Ghee é a manteiga clarificada, largamente utilizada na culinária indiana. Apresenta uma série de vantagens sobre as manteigas normais, como o fato de não estragar facilmente, não ferver a baixas temperaturas e ser mais saudável. A preparação do ghee é muito simples: leve ao fogo médio em banho-maria um pacote de manteiga sem sal. Quando a manteiga começar a derreter, abaixe o fogo, continue fervendo-a e retire a cada 15 minutos a espuma que se forma na superfície do líquido. Cozinhe durante 30 a 40 minutos, desligue o fogo e deixe esfriar. Quando tiver esfriado, mas ainda em estado líquido, coloque o ghee em um recipiente adequado depois de eliminar cuidadosamente o sedimento depositado no fundo da panela. É conveniente deixar o ghee preparado desde a véspera. Bom apetite!

 

Aproveite que você ficou limpo para fazer (e continuar!) uma alimentação mais saudável, energética e sáttwica. Alimentação sáttwica é aquela gostosa, leve e bem combinada, privilegiando produtos frescos e evitando enlatados ou fermentados. Pense que passarão alguns meses antes do próximo shanka prakshálana e que você precisará manter a maquinaria limpa até a próxima mudança de estação.
 
Extraído de uma apostila sobre kriyá, pág.128

terça-feira, 22 de abril de 2014

O início - Yoga

Hoje resolvi escrever sobre a linhagem de Yoga que eu pratico, ensino e adoto.
 
Achei importante escrever logo num dos primeiros temas porque afinal é por aqui que pretendo esclarecer algumas questões sobre autoconhecimento e para mim, a prática do Yoga está inteiramente ligada em todas as minhas ações e pensamentos. Além disso, preciso dizer à você que descreverei na maioria das vezes o tipo de Yoga que mais conheço e me identifico, que é o Swásthya Yoga, conhecido também como Yoga Antigo. 
 
O Yoga é uma filosofia prática que sempre está apoiado em duas vertentes: uma linha teórica e outra comportamental. No caso do Swásthya Yoga, é baseado na linha teórica naturalista (samkhya) e na comportamental matriarcal (tantra), portanto o nome completo é Dakshinacharatantrika-Nirishwara Samkhya Yoga. Ahhhhhhhhhhh!!! Que diabos é isso?! Calma, vou aos poucos quebrando este palavrão e daí ficará fácil de entender. Por hora, fique com o nome Swásthya ou Yoga Antigo (alguns conhecem também como método DeRose, que foi o codificador deste método). 
 
Em um próximo post, explicarei melhor cada uma das vertentes Samkhya e Tantra para assim conseguirem perceber as diferenças entre elas e desmistificar certas confusões que muitos ocidentais fazem a respeito das mesmas.
 
Yoga é uma filosofia milenar, (com mais de 5.000 anos) originada na Índia antiga, no vale do Indo, que significa união. Visa atingir através de técnicas diversas de autoconhecimento, a hiperconsciência, também chamada de samadhi, que pode ser entendido como "totalidade do indivíduo", isto é, a união do homem com a natureza e com o meio ambiente que o circunda.
 
 
 
Se espalhou inicialmente pela Ásia através do seu povo, a civilização dravídica e com as diversas invasões sofridas ao longo do tempo. Com a globalização, acabou sendo difundido rapidamente pelo ocidente, principalmente após os grandes movimentos migratórios do século passado e pelos meios de comunicação em massa desenvolvidos e disponibilizados após a Segunda Guerra Mundial.
 
Na década de 1960, as atividades e filosofias orientais, foram adotadas principalmente pelos adeptos do movimento hippie e ganharam notoriedade. Todavia, o que manteve a permanência dessas tradições foi a percepção dos benefícios atribuídos a estas práticas milenares - o que fez com que ficasse por aqui até hoje. 
 
O caminho da prática do Yoga traçou linhas divergentes também pelo ocidente dividida basicamente em naturalista/espiritualista (samkhya/vedanta) e matriarcal/patriarcal (tantra/brahmacharya) que se misturam entre si.

Apesar do Swasthya Yoga, que é de linha naturalista e matriarcal não buscar os tais benefícios de cura para atrair o seu público alvo, não teria como não mencionar ou perceber os efeitos que ocorrem a cada prática realizada. É uma filosofia completa, que cultiva o corpo e os sentidos, trabalhando a mente e civilizando a inteligência para se atingir a saúde, a paz interior, a felicidade pessoal e a elegância natural. Esta se divide em oito partes (angas) que são: mudra, pújá, mantra, pranayáma, kriya, ásana, yoganidra e samyama, porém, podem ser executadas de forma ortodoxa (exatamente desta forma descrita) ou heterodoxa, com algumas das partes ou ainda ela completa mas com outro formato.

Existem catalogados mais de 100 tipos de Yoga. Talvez você nunca tenha ouvido falar no Swásthya mas provavelmente já ouviu algo sobre hatha Yoga, talvez vinyasa, power, yengar, etc. A maioria deles visa o autoconhecimento ou até mesmo a hiperconsciência e por isso, são considerados Yoga verdadeiramente mas cada tipo, tem seu formato particular, ou seja, utilizam determinadas técnicas para atingir seus objetivos que não necessariamente existe no outro método. Neste momento é que vale a busca por aquela que lhe for melhor.

Muitas pessoas me perguntam sobre a diferença entre os tipos e sinceramente acredito que o melhor é você buscar por si, afinal, são muito diferentes uma das outras. O que posso dizer com segurança é que o Swásthya é para pessoas que estão saudáveis (não buscam cura para nada) e normalmente temos a mesma quantidade de alunos entre homens e mulheres, tendo em vista que o Yoga Antigo era praticado, assim como as artes marciais por homens mas só aqui no Brasil foi associado que deveria ser para mulheres, as vezes mais idosas ou para pessoas que estão doente.

A aula de Yoga tem uma sequência de movimentos com diferentes finalidades: concentração, identificação com o ambiente, aquecimento, alongamento articular, posturas de equilíbrio, força muscular, torção e , saudação, posições de invertida (para melhorar o fluxo sanguíneo) e relaxamento, que fazem exigências crescentes ao corpo mas, trabalhando desta forma, evitam que ele se ressinta. Os exercícios de aquecimento preparam e liberam cada músculo para as posturas, bem como as outras partes da prática, como os mantras e respiratórios. Estas, por sua vez, exigem profunda atenção e concentração. Desta forma, o corpo e a mente são trabalhados em  conjunto num processo de união.   As saudações aos elementos da natureza, como a do Sol (súrya namaskara) são sequências de exercícios que fluem em contínua compensação e complementação, num gesto que é sobretudo de gratidão, evidenciando o amor e o respeito pela natureza. São particularmente enfatizados os exercícios respiratórios, importantíssimos para o bem estar físico dos indivíduos. 



 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Afinal, o que é meditação?




Começo a falar sobre um tema meio polêmico, na minha opinião. Meditação.Polêmico porque muitas pessoas acham que meditar é pensar em algo quando na realidade é parar de pensar. Ora, e por que deveríamos parar de pensar?
 
Observe que aprendemos desde cedo que dormir é importante para descansar o corpo; que não devemos comer muito - para termos uma melhor digestão; ficar assistindo televisão até tarde faz mal entre tantas outras coisas. O que dificilmente escutamos é que devemos parar de pensar, nem que seja por uns instantes, para a mente também descansar. Hã? Parar de pensar...eu aprendi que tenho que usar a cabeça sempre, pensar, ter foco, me concentrar. Acho que tudo isso são formas de pensar, não é?! Sim, de certa forma. Pensar também é muito importante e isso é uma das funções que nos difere dos animais.
 
O que quero dizer é que quando você "para de pensar" - automaticamente entra num processo de contemplação, que aí que é confundido com pensar. Na verdade não estamos pensando mas apenas observando os pensamentos. Deixamos que ele flua naturalmente. É normal no início divagarmos e ao invés de não pensar, pensar em tudo e mais um pouco. Para isso, segue algumas dicas para começar o treinamento.
 
Sentado (a), com as costas retas, pernas cruzadas (se não puder, pode se sentar numa cadeira e deixar os pés bem apoiados no chão). As mãos pousadas suavemente sobre as pernas e os olhos fechados, sem franzir a testa - com um leve sorriso nos lábios.
 
Não vou entrar no mérito de qual dos mudrás (gestos reflexológicos feito com as mãos) devemos utilizar pois isto é ensinado nas aulas e tem variações entre iniciantes e avançados. O mais importante é você encontrar uma postura confortável para se manter durante a meditação.

Ok mas...e os benefícios da meditação?!
 
Como já dizia meu antigo mestre, os benefícios acontecem mas não devem ser a proposta do "exercício" em questão. Seria o mesmo que entrar numa aula de ballet apenas com a finalidade de emagrecer ao invés de aprender a dançar e quem sabe se tornar bailarino (a). Claro que você pode fazer isso, mas é um pouco frustrante para o professor - confesso.
 
De qualquer forma, entre os inúmeros benefícios que a prática da meditação traz ao praticante inclui a redução na pressão arterial e, segundo um estudo feito na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e outras pesquisas internacionais, indicam a meditação como antídoto para o estresse, a ansiedade e depressão leve. ‘Ao reduzir os níveis de cortisol, um dos hormônios do estresse, no organismo, a prática meditativa também fortalece o sistema imunológico’, afirma Maria Cristina Pesce, especialista da área de Medicina Comportamental da Unifesp. Além disso, durante a prática, áreas do cérebro ligadas à concentração e atenção são mais estimuladas. Da mesma forma, o hemisfério direito, mais ligado à intuição, é mais acionado. Já o esquerdo, mais racional, fica menos ativo.
 
Se queremos diminuir os vrittis (frequência) das ondas cerebrais, nada melhor do que alguns minutos diários da meditação. Pode começar com apenas 1 minuto por dia e ir gradualmente aumentando, na medida que se sentir confortável para tal.
 
Outra dica importante é procurar fazer a prática sempre no mesmo horário. Não precisa ser horário britânico, mas se conseguir organizar o seu dia para fazer por exemplo sempre que acordar ou antes de dormir, o corpo ficará condicionado a isto e assim, cada vez será mais fácil e rápido de se adaptar.

Veja a seguir o link de um vídeo que ensina de forma fácil iniciar a prática da meditação: http://www.youtube.com/watch?v=IPrOlrYHsoQ

Mens sana in corpore sano

O primeiro post deste blog ficará por conta das apresentações desde o título até a mensagem que se quer passar aos leitores.

Este blog é baseado em conceitos que estudei por mais de 10 anos de práticas e aulas de yoga e sempre, em busca de autoconhecimento e realização pessoal.

Guru, para muitos, significa mestre espiritual e as vezes chega a ser "pesada" a palavra guru, por tamanha força que está arraigada. Eu aprendi, na minha escola de fundamentação samkhya (naturalista) que o significado de "guru" é apenas professor. Não que professor seja coisa pouca, pelo contrário, são fundamentais na vida de qualquer um mas o que quero dizer que é muito mais simples do que floreiam por aí portanto, Guru é aquele professor, mestre, que lhe passa ensinamentos.

Já a célebre frase: Mens sana in corpore sano ("uma mente sã num corpo são") é uma famosa citação do latim, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal. Esta frase, no contexto é parte da resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida.

A intenção original do autor foi lembrar àqueles dentre os cidadãos romanos que faziam orações tolas que tudo que se deveria pedir numa oração era saúde física e espiritual. Seu uso mais generalizado expressa o conceito de um equilíbrio saudável no modo de vida de uma pessoa.

Com isso, digo lhes que este blog tratará de assuntos pertinentes a bem-estar com ênfase grande em lições de grandes mestres, pensadores espalhados pelo mundo (pode ser até você) e eu mesma com a finalidade de aprimoramento pessoal.

Bem vindos!